sábado, 23 de julho de 2011

100% Linux na Procuradoria Geral do Estado da Paraíba

Há aproximadamente quatro anos foi instituída na Procuradoria Geral do Estado da Paraíba uma política para utilizar preferencialmente programas de computador livres de licenciamento – também conhecidos como software livre – inspirado na política do governo federal, tendo em vista o corte de gastos com a aquisição de computadores, economizando os valores relativos às aquisições das licenças de uso de produtos como sistemas operacionais, suítes de escritório, antivírus, entre outros. E visando também melhorar a segurança da rede interna da PGE/PB uma vez que computadores acionados por Linux são reconhecidamente mais resistentes a infestações por vírus e/ou vermes.

Foi feito um estudo que levou a conclusão que os usuários da PGE/PB basicamente utilizam o computador para editar textos e navegar na Internet. Então, o primeiro passo para a migração foi substituir as suítes de escritório e os navegadores web nos computadores dos usuários. Onde havia, por exemplo, uma instalação do MS-Office® foi colocado o BrOffice.org, e onde havia Internet Explorer foi posto o Mozilla Firefox em seu lugar. Com isso, o usuário foi se acostumando com tais ferramentas. O passo seguinte foi ao adquirir equipamentos novos, configurá-los apenas com o sistema operacional livre. No nosso caso optamos pelo Ubuntu que já vem com o BrOffice.org e Mozilla Firefox por padrão. Em cem por cento dos casos o usuário preferiu um computador novo com o sistema livre a permanecer com o equipamento antigo. Em paralelo a esse segundo passo foi feito todo um trabalho de conscientização dos usuários que levou a reinstalação de alguns computadores para por o novo sistema. Nesse ponto alguns usuários perceberam que computadores “antigos” acionados pelo sistema livre funcionava mais rápido do que os que eram acionados pelo sistema não-livre o que fez com que mais algumas estações fossem convertidas. Na verdade o novo sistema deu uma sobrevida aos computadores antigos. A PGE/PB ainda dispõe em sua rede computadores com quase nove anos de utilização, funcionando graças ao sistema livre.

Sem dúvidas esta segunda fase é a mais delicada do processo de migração pois quando o usuário não consegue realizar alguma tarefa seu primeiro impulso é culpar o novo sistema. Para minimizar o impacto para o usuário é necessário que o setor de informática disponha de uma equipe que domine o novo sistema e que esteja sempre de prontidão para tirar qualquer dúvida do usuário de imediato. Além disso em todas as instalações aplicamos um tema que deixa a interface do novo sistema o mais próximo possível do que os usuários já estavam acostumados a utilizar. Na Internet existem vários pacotes que se propõe a isso. Não encontramos nenhum que fosse perfeito mas todos eles, uma vez aplicados, minimizam o impacto inicial do usuário com o novo sistema. Como o usuário trabalha diretamente com os aplicativos – e não com o sistema operacional – e ele já vinha utilizando o BrOffice.org e o Firefox desde a fase anterior, não resta muitas dúvidas para tirar sobre o novo sistema.

Resolvida a migração das estações dos usuários médios adentra-se numa área um pouco complicada – que podemos chamar de fase três – que é a dos usuários avançados, ou seja, aqueles que utilizam ferramentas/sistemas/aplicativos específicos para desempenhar suas funções, tais como planilhas sofisticadas, programas especialistas, sistemas legados, etc.. Nesta etapa é necessário estudar diversos tipos de soluções além da substituição do aplicativo por um similar que nem sempre é possível. Entre elas fazer com que o programa em questão funcione no novo sistema através de emulação ou virtualização e modificar ou mesmo reescrever o programa para que o mesmo funcione na nova plataforma. A exemplo disso podemos citar o Sistema Gestor de Processos que foi totalmente reescrito para a plataforma web por funcionários da PGE/PB para substituir o legado que funcionava apenas sobre sistema operacional não-livre e que foi fornecido e era mantido por uma empresa de Santa Catarina.

Não existem relatórios consolidados sobre a economia gerada para a PGE/PB nestes quase quatro anos devido a essa política mas apenas com a substituição do antigo sistema gestor de processos pelo atual economiza-se cerca de R$ 14.000,00 (catorze mil reais) por mês referente a taxa de manutenção cobrada pela empresa fornecedora, a preço de 2007. Além disso, para cada estação de trabalho adquirida neste período economizou-se cerca de R$ 500,00 (quinhentos reais) referentes ao licenciamento do sistema operacional, da suíte de escritório e do antivírus. Atualmente 95% dos computadores desta Procuradoria são equipados com softwares livres. Os cinco porcento restantes referem-se a programas que ainda não se tem um similar livre (fase três). As fases dois e três são contínuas sem prazo para terminar pois de tempos em tempos as equipes de trabalho são renovadas e/ou são adquiridos novos computadores.

O resultado mais importante alcançado com esse processo de migração não foi o objetivo inicial – a economia, a segurança – foi a valorização, capacitação e aprendizado do pessoal da PGE/PB.